A evolução do Design e da criação contemporânea.

Esta exposição visa informar os principais dados históricos do nascimento e evolução de alguns aspectos do Design moderno, e não tem caráter didático, mas apenas informativo.

Produtos com Design agregado

1. O Contexto

No início do sec. XX, a civilização vivia um momento de efervescência e transformação. Desde o início  da Revolução Industrial iniciada em 1770 na Inglaterra, a sociedade européia verificou os efeitos que esta nova forma de trabalhar imprimia em todas as áreas da civilização.  A criação de máquinas era crescente e a aglutinação de pessoas nas cidades aumentava cada vez mais. Ford T

A ciência começava a ser compreendida e aplicada de forma prática no dia a dia de cada um.
Na virada do séc XX, os estabelecimentos de produção estavam adquirindo um potencial cada vez maior e mais variado para fornecer objetos e utilidades e por outro lado o mercado de consumo nascia e se fortalecia á medida que mais pessoas participavam da cadeia produtiva. O êxodo rural era crescente.
Era um cenário potencial para dar início ao que se sucederia nos os anos vindouros.

Nascia a tecnologia e a era das invenções, como o telegrafo (1835), a lâmpada elétrica (1879) e o telefone (1876), a máquina a vapor (por volta de 1700) e á explosão (por volta de 1900). Seguiu-se a criação do automóvel (1900).
Não havia comunicação de massa, além da imprensa escrita, nem meios de transporte de massa. Os materiais disponíveis para transformação eram o tecido, o aço, a madeira e o barro. Não existia o mundo dos materiais derivados de petróleo.

Linha de Produção
Em 1905 Henry Ford inventa a produção em série e é copiado por todos os setores produtivos, gerando uma explosão de transformações em toda a civilização. E junto com a disseminação de produtos surgiu a necessidade de “criar” produtos.
Nesta época, a ciência não era tão segmentada em estudos especializados por área como é hoje, e a área de criação era representada pelo estudo das artes (desenho, pintura, escultura, etc.) e pelo da arquitetura, que se ocupava em planejar e orientar o trabalho de trabalhadores artesanais na execução de edificações e não havia um estudo específico para a criação de produtos industrializados. O que mais se aproximava disto era o ensino das artes aplicadas (marceneiro e ferreiro principalmente) porém, era isolado da arquitetura.
Acreditava-se na valorização do presente e futuro, no aperfeiçoamento do ser humano através do conhecimento, no progresso, e no endeusamento da ciência. Inicia-se a era do Modernismo (1920). As pessoas influentes eram intelectuais e artistas, sempre ligados aos grupos  mais ricos da sociedade
Com a proliferação de indústrias, a demanda pela criação de produtos tornou-se eminente, evidenciando a importância crescente do desenvolvimento do projeto de produtos.

2. As Origens

 Peter Behrens (1865-1940)Por volta de 1907, Peter Behrens, arquiteto alemão, baseado no movimento “Arts and Crafts” ou “Artes e Ofícios”, iniciado na Inglaterra por William Morris na segunda metade do séc. XIX, que com base em conceitos socialistas que nasciam na época, pregava um retorno á produção artesanal de bens (embuídos porém, de conteúdo artístico); fundou a “Deutscher Werkbund”, uma associação de arquitetos e artistas que propunha, da mesma forma, a união da manufatura com a arte, agora adaptado á produção industrial que nascia.
Peter Behrens atuou na prática segundo estes princípios quando contratado pela AEG, trabalhando simultâneamente nas áreas de Artes Gráficas, Arquitetura e Desenho Industrial iniciando a criação da identidade corporativa.
 Entre os fundadores do “Deutscher Werkbund”, estava Henry van Der Velde, que tornar-se-ia diretor da escola de artes aplicadas de Weimar, na Alemanha, e Hermann Muthesius, diretor da Escola de Belas Artes, também em Weimar. Este último, além de Arquiteto era também um pesquisador do movimento "Arts and Crafts", e figura prominente da arquitetura alemã por defender uma nova forma de criar, aliando a qualidade e o aspecto artístico á produção industrial.
Peter Behrens também trabalharia junto à  Walter Gropius, Mies van der Rohe e Le Corbusier, considerados fundadores da Arquitetura moderna. Hermann Muthesius (1861-1927)

Walter Gropius (1883-1969)Em 1919, Walter Gropius, arquiteto alemão e professor na escola de artes aplicadas de Weimar - Alemanha (fundada em 1906 pelo grão-duque de Sax-Weimar) assume a direção desta, que nicialmente foi dirigida por Henry Van de Velde (1863 - 1957). Adotou a reestruturação da escola integrando-a com a escola de Belas-Artes (também de Weimar), do alemão Hermann Muthesius, e fundou uma nova escola de arquitetura e desenho a que deu o nome de Staatliches Bauhaus (Casa Estatal de Construção), com sede em um edifício construído em 1905 por Van de Velde.
Gropius acreditava que a arquitetura poderia suprir todas as demandas crativas, e para tal precisava unir o conjunto de disciplinas artísticas - escultura, pintura, desenho e 3rtes aplicadas - para incorporá-las a uma arquitetura de novo cunho. Foi formetente influenciado pelas idéias da Deutscher Werkbund, da qual também fazia parte.

A Bauhaus, mais que uma escola de artes e arquitetura, foi um centro de agitação de todas as disposições criativas da época, que assinalou o início de uma nova fase na arquitetura mundial influenciando toda a atividade artística e criativa do século XX, sendo o berço do Design ou Desenho industrial atual. em Weimar
Na época a influencia do impressionismo era forte e o modelo Art-Noveau, esteticista e decorativo, dominava a criação de objetos.
Gropius defendia uma criação racionalista e funcional, e a melhor relação entre a forma e o material, forma e função e entre a forma e o modo de produção.
Os ideais avançados da Bauhaus influenciam a sociedade de Weimar e incomodam os setores conservadores locais que, ao assumirem a administração em 1924 dissolvem a escola. Em 1926 a Bauhaus se estabelece em Dessau, aonde é construído o novo edifício da escola, projetado por Gropius; um marco da arquitetura do século XX que estabelece um novo princípio estético, com o uso de volumes limpos e definidos.

Escola Bauhaus em DessauO início das atividades em Dessau abre uma nova etapa, cuja produção se caracteriza pela simplicidade racional e pela preocupação com a viabilização econômica dos projetos. Em 1932 o avanço da direita nazista força novamente a dissolução da escola, agora sob a direção de Mies Van der Rohe, e este reinicia os trabalhos em Berlim. Mas, após seis meses de atividades a escola é definitivamente fechada.
Longe de extinguir os ideais da escola, o fechamento acabou disseminando seus princípios pelo mundo, uma vez que os artistas e professores imigraram para vários países, principalmente os Estados Unidos, fundando novas escolas e fundamentando suas atividades nos ideais da Bauhaus, como em Harvard e no MIT de Chicago.
Dentre os mestres da Bauhaus Mestres da Bauhauspodemos citar nomes hoje consagrados, como Josef Albers, Hinnerk Scheper, Georg Muche, László Moholy-Nagy, Herbert Bayer, Mies Van der Rohe, Joost Schmidt, Walter Gropius, Marcel Breuer, Vassily Kandinsky, Paul Klee, Lyonel Feininger, Gunta Stölzl e Oskar Schlemmer.

 

3. Definição

Hoje, o Design pode ser definido como a ciência de materializar uma necessidade humana (função) em uma forma mais adaptada possível, dentro de:

A atuação do Designer não é criar algo “Bonito”sómente, mas criar um objeto funcional e exeqüível.
Durante o processo de criação, a concepção da forma é estabelecida dentro de parâmetros da “Teoria das Formas” (originada nas disciplinas de Belas-Artes – desenho, pintura e escultura principalmente), por isso é “Bonita”: tem harmonia, equilíbrio. Também são considerados conceitos de ergonomia, de antropometria, resistência estrutural, disponibilidade de materiais, entre outros.
Ainda a disponibilidade de meios de produção (máquinas, ferramentas, recursos humanos, energia, abrigo, etc.) é prevista e balizam o processo.
Parâmetros mercadológicos, como a condição sócio-econômica do usuário, sua capacidade de utilização e entendimento do produto, sua cultura estética pré-estabelecida, hábitos e costumes, contexto ideológico e cultural são também incorporados á criação.
Portanto, o processo de criação é muito mais envolvente e profundo do que apenas a solução estética, e o conteúdo de estética no termo “Design” resulta numa pequena parcela apenas. É totalmente inadequado utilizá-lo como substantivo, sinônimo de “beleza”.

4. Conceitos ambíguos.

É comum o uso equivocado do têrmo “Design”, e é preferível utilizar a expressão “Desenvolvimento de Produtos” que é o que melhor define esta atividade. Já para denominar o “Designer” pode-se utilizar a expressão “Projetista ou Engenheiro de Produto.
 “Bonito” é um conceito genérico que inclui uma vasta análise de detalhes da forma que é vista e da percepção mental da mesma. Para o Designer (o conceito profissional), a conclusão favorável que o têrmo expressa, é resultado da análise de um grande número de parâmetros e conceitos de caráter técnico e emocional (muitos de âmbito particular), que gera uma manifestação intrinsecamente pessoal. Portanto a “aprovação” estética de uma proposta  de desenvolvimento de produto, deve levar em consideração que se trata de uma percepção intuitiva, conjunta á uma expressão emocional, resultante da experimentação visual do objeto, e de cunho individual.

Técnicamente, a expressão é resultado de uma análise visual considerando os conceitos da Teoria das Formas, ou: como as características formais do objeto, como a composição e disposição de volumes e linhas, escala, cor, etc.gera, através de efeitos visuais que moldam a percepção do objeto em nossa mente,  uma reação agradável, ligada á idéia de harmonia e equilíbrio. Há também a necessidade  de uma solução formalmente inédita para potencializar esta reação.    

“Moderno” formalmente significa “evolucionista”, mas o conceito é amplo, pois pode abranger uma solução “radical”, assim como uma “diferente”, e a justificativa dos elementos formais de uma solução para  sua conceituação como tal, é vaga e também de caráter pessoal, pois  está ligada á cultura estética do indivíduo e seu arquivo pessoal adquirido.

5. As Tendências

As tendências de concepção arquitetônica e estética dentro de um determinado segmento de mercado são recicladas e evoluem constantemente para novas soluções, gerando uma renovação constante, que mantém o mercado ativo. Desta forma uma ampla análise deve ser efetuada pelo Designer e deve considerar o contexto mercadológico e novas soluções encontradas ou propostas dentro do segmento em questão, evitando a concepção de produtos obsoletos ou soluções mal-sucedidas.

A embarcação em geral é um produto de evolução e história milenar, tendo figurado em todos os eventos épicos da evolução humana por cerca de 5000 anos, sendo inclusive um elemento de máxima importância na ocupação teritorial, descobrimentos e expansão das civilizações, no comércio e integração dos povos, e no transporte de bens e de bio-material,  portanto seu desenvolvimento formal é consagrado, pois resulta de um extenso acúmulo de experimentos, e nos últimos quase duzentos anos, baseado em cálculos hidrostáticos e hidrodinâmicos considerados “modernos”, a partir dos estudos de Scott Russell em 1834 e Colin Archer em 1877.

A partir daí a tecnologia ditou a conformação das embarcações, e com o advento dos motores á vapor (entre 1705 e 1769) e os á combustão interna (por volta de 1900) a conformação dos casco evoluiu dos deslocantes àos planantes, definindo sua forma com base em cálculos matemáticos e princípios da física moderna.

O advento dos motores de popa por Ole Evinrude em 1877 e das embarcações Chris-Craft (desde 1870) impulsionaram a indústria de embarcações de lazer e de pequeno porte durante a primeira metade do séc. XX.

Na história mais recente (últimos 60 anos), ou mais precisamente, após a II Guerra Mundial, o advento da Fibra de Vidro foi um marco histórico na evolução das embarcações, uma vez que este material permitiu a elaboração de formas inusitadas e a implantação de uma produção de embarcações em série. As possibilidades de conformação deste material são infinitas, o que libertou a ação dos designers para a concepção das mais variadas formas, tanto de cascos, quanto de casario e convés. podemos dizer que a náutica moderna nasceu neste período. A Fibra de Vidro passou a ser utilizada em larga escala por volta de 1960.

A tipificação formal das embarcações seguiu a diversificação crescente do mercado, atendendo as mais diversas necessidades, de acordo com cada segmento.  As características de cada modelo, foram se consolidando paulatinamente, e consagrando alguns estereótipos.  

6. As Influências

A partir da década de 1960, a Fibra de Vidro passou a ser utilizada em embarcações cada vez maiores, em especial nas embarcações de lazer. O Design moderna já avançava a passos largos enquanto ciência e quanto á sua aplicação na indústria em geral.

Na industria náutica de lazer e esportiva, cerscendo então, a um ritmo acelerado, a configuração dos cascos modernos foi definida ainda na década de 1960 e dois grandes projetistas podem ser mencionados: Tom Fexas ( -2006) e Don Aronow (1927-1987), este último, criador das famosas Cigarettes, deteve quase todos os prêmios de compeJohn Bannemberg 01tição náutica Off-shore.

Na década de 1970 os projetos de JohnBannemberg adicionaram majestosidade e fantasia aos maiores iates da época, rompendo com o tradicionalismo do design vigente.

Na década de 1980, Stefano Righini lança sua "Excalibur" e os modelos Azimut, influenciando o design náutico mundial por décadas. Seus traços podem ser vistos até hoje em vários modelos mundo afora.Stefano Righini 01

Neste período, temos o advento da informática em larga escala e dos softwares modernos de desenho 2D e 3D, largamente aplicados áos projetos náuticos, alteraram os traços e o processo de desenvolvimento destes produtos, como em quase todos os setores industriais.

Wally 01

 

 

Na década de 1990 tivemos a grande revolução provocada pelos projetos da Wally Design, trazendo linhas minimalistas e lapidadas a volumes geométricos puros: um avanço memorável e uma ruptura com as linhas orgânicas da década anterior, que influenciava varios setores. Ainda hoje sua proposta é avançada e ousada, mas harmônica e sofisticada.Fjord 40'

Já na virada do milênio, os projetos de Patrick Bansfield foram os mais avançados do mercado (Fjord 40), com linhas decorrentes da proposta Wally, porém aplicadas a uma pequena embarcação.

Vários outros Arquitetos e Designers devem ser citados e isto será feito no desenvolvimento deste artigo, que se encontra em execução.